CNMP realiza 2º Encontro Técnico de Cibersegurança do Ministério Público
“A criminalidade está cada vez mais avançada. São organizações envolvidas nos mais persos tipos de ilícitos, como tráfico de drogas, tráfico de pessoas, entre outros. Elas utilizam toda e qualquer ferramenta possível para enganar pessoas e instituições. Precisamos dar uma resposta a essa realidade”. O alerta foi feito pelo conselheiro nacional do Ministério Público e presidente da Comissão de Preservação da Autonomia do Ministério Público do (CPAMP), José de Lima Ramos, na manhã desta quarta-feira, 21 de outubro, durante a abertura do 2º Encontro Técnico de Cibersegurança do Ministério Público.
A iniciativa é uma realização do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), por meio da CPAMP e do Comitê Gestor Nacional de Cibersegurança do Ministério Público (CGNCiber-MP).
O evento, que prossegue na quinta-feira, 22 de outubro, ocorre na sede do CNMP, em Brasília/DF, e reúne membros e servidores das unidades e ramos do Ministério Público brasileiro para debater desafios, boas práticas e estratégias voltadas ao fortalecimento da segurança cibernética institucional.
A iniciativa dá continuidade ao primeiro encontro técnico, realizado em 2025, que objetivou aprimorar conhecimentos especializados, fortalecer a resiliência institucional e ampliar a cooperação entre os órgãos ministeriais na prevenção, detecção e resposta a incidentes cibernéticos.
A programação do evento está estruturada em dois momentos complementares. Neste 21 de outubro, são realizados painéis temáticos com especialistas e representantes de instituições públicas, abordando temas relacionados à resiliência, transformação digital, ataques cibernéticos e a importância das Equipes de Prevenção, Tratamento e Resposta a Incidentes Cibernéticos (ETIR) para as organizações.
Já no dia 22 de outubro, serão tratados a formação e o funcionamento da Rede Nacional de Cooperação em Cibersegurança do Ministério Público (RedeCiber-MP) e o Plano de Resposta a Incidentes Cibernéticos (PRI).
Segurança digital em debate
Durante a solenidade de abertura, o secretário-geral do CNMP, Michel Romano, destacou a centralidade do debate da temática da cibersegurança, sobretudo em um cenário em que o uso da Inteligência Artificial se amplia: "Quando a gente evolui tecnologicamente, a gente evolui a nossa prestação de serviço. Nós vivemos uma transformação digital ao longo dessa última década e acho que seguramente ainda teremos um avanço que nós não conhecemos", pontuou Romano.
O secretário-geral adjunto do CNMP, Bernardo Morais Cavalcanti, chamou a atenção para a crescente migração de informações e estruturas institucionais para o ambiente digital, movimento que impõe novas exigências à segurança da informação: "Nós estamos explorando a vanguarda da segurança institucional do Brasil. Cada vez mais, os nossos ativos migram do físico para o ambiente virtual e nós estamos adentrando em uma área ainda muito desconhecida".
Para o coordenador-geral do Comitê Gestor de Cibersegurança do Ministério Público, Erich Vinícius Schramm, a cooperação entre as unidades ministeriais é fundamental para transformar esforços inpiduais em uma estrutura coletiva de proteção. Ao agradecer o apoio do CNMP, Schramm ressaltou a proposta de integração nacional: "Nosso objetivo central nesse encontro é criar uma rede interligada de informações de cibersegurança de colegas que vão reportar incidentes e farão um trabalho em conjunto".
Após a abertura, o coordenador-geral reforçou a necessidade de sensibilizar as administrações superiores para a importância da segurança cibernética. Esse esforço para criar uma rede colaborativa está embasado na tríade formada por trabalho coletivo, redes de comunicação e necessidade de reportar incidentes cibernéticos: "O objetivo é que todos nós recebamos em tempo quase real as informações que serão repassadas. O outro objetivo é essa troca de informações", explicou o coordenador-geral do Comitê Gestor de Cibersegurança do Ministério Público.
Enfrentamento aos ataques virtuais
A necessidade de superar uma atuação exclusivamente preventiva e investir na capacidade de resiliência foi um dos pontos centrais da palestra "Do perímetro à resiliência: cibersegurança no mundo pós-transformação digital", ministrada pelo membro do Comitê Gestor Nacional de Cibersegurança do Ministério Público Vinícius Maia Pacheco.
O especialista abordou a rápida propagação dos ataques virtuais e os riscos da interdependência entre sistemas e serviços digitais, destacando a importância da cooperação: "O impacto é muito rápido, estamos em uma situação em que o desafio é muito grande, e eu quero chegar na mesma mensagem de que precisaremos de cooperação. Mas o nosso ambiente está muito inóspito, então esses ecossistemas conectados amplificam o impacto. Esse mundo pós-transformação digital não apenas aumentou superfície de ataque, ele a transformou em uma superfície de dependências", explicou o doutor em Engenharia de Redes.
Pacheco também ressaltou que a segurança cibernética não pode ser compreendida como uma garantia absoluta contra invasões. Para ele, as organizações precisam combinar medidas preventivas com estratégias que assegurem a continuidade das atividades e a recuperação diante de possíveis incidentes: "Não temos como prometer invulnerabilidade. Prevenir é necessário e, mais que isso, resistir é inevitável. A gente tem que pensar em como sermos resilientes."
Soberania digital
A relação entre autonomia institucional, infraestrutura digital e dependência de fornecedores externos esteve no centro da palestra "Soberania Digital", ministrada pelo coordenador-geral de Acordos e Parcerias da Secretaria de Segurança da Informação e Cibernética do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, Juliano Rodrigues Ferreira.
O especialista alertou que os riscos à segurança cibernética não se limitam a invasões ou a ataques diretos. A dependência de tecnologias e infraestruturas controladas por terceiros também pode representar uma vulnerabilidade estratégica para as instituições públicas: "A dependência tecnológica entra em um nível de ameaça muito forte porque ela passa a ser uma vulnerabilidade muito difícil de ser combatida se a gente não tiver atenção, por isso é importante essa conversa no sentido de essa percepção ficar mais clara."
Ao analisar as instituições públicas nesse contexto, Ferreira afirmou que é importante reforçar que, embora o governo tenha se digitalizado cada vez mais e melhorado a vida do cidadão, é importante debater a soberania digital no contexto das big techs e do uso de infraestrutura de outros países: "Quem controla a infraestrutura digital controla a capacidade de decisão", explicou o mestre em segurança cibernética. O especialista trouxe três sugestões aos participantes: contratar com critério, integrar redes de compartilhamento e formar membros e servidores para avaliar e auditar inclusive sistemas de inteligência artificial.
Cibersegurança e transformação digital
À tarde, aconteceu a palestra "IA e Cibersegurança: preparar-se hoje ou reagir amanhã", ministrada pelo parceiro executivo da Gartner Eduardo Wolski. Em seguida, foi realizado o painel "Apresentação da Plataforma do 2° Diagnóstico de Maturidade de Cibersegurança do Ministério Público" pelo membro do CGNCiber-MP Orlando da Silva Baptista.
Após um intervalo, ocorreram as palestras "A importância das equipes de prevenção, tratamento e resposta a incidentes cibernéticos (ETIR) para as organizações pós transformação digital", ministrada por Flávio Angelo, membro do CGNCiber-MP, e "Estruturação de Redes CSIRT", conduzida pelo coordenador-geral do CTIR Gov, Junier Carminha Amorim.
Cooperação em rede e resposta a incidentes cibernéticos
No segundo dia do encontro, o primeiro painel trará como tema "Formação e funcionamento da Rede Nacional de Cooperação em Cibersegurança do Ministério Público (REDE-Ciber-MP), com a moderação de Flavio Angelo do CGNCiber-MP.
Às 10h30 ocorre a palestra "Plano de resposta a incidentes cibernéticos (PRI)", apresentada por Jorge Antonio Arantes Vilela, do CGNCiber-MP.
Às 11h20 ocorre a mesa de encerramento com autoridades.
Sobre o encontro
A iniciativa integra os esforços do CGNCiber-MP para implementar a Política Nacional de Cibersegurança do Ministério Público (PNCiber-MP), instituída pela Resolução CNMP nº 294/2024, e reforça o compromisso institucional com a proteção das informações, dos sistemas e dos serviços essenciais prestados à sociedade.
A participação das unidades ministeriais no evento contribui para ampliar a cooperação entre os órgãos do Ministério Público e fortalecer a capacidade das instituições de prevenir e enfrentar ameaças digitais.
A iniciativa também busca aprimorar a maturidade organizacional em cibersegurança e proteger o ambiente digital do Ministério Público brasileiro.
Confira a cobertura fotográfica completa.
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