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Voz e liderança das mulheres: CNJ fortalece preparação de magistradas para ocupar espaços de decisão

Fortalecer a presença e a voz de mulheres nos espaços de decisão do Judiciário foi o foco do segundo módulo do Women Judge’s Program, realizado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), nos dias 21 e 22 de setembro, em Brasília. A formação reuniu 30 magistradas de diferentes ramos em atividades voltadas ao desenvolvimento de comunicação estratégica, posicionamento profissional e liderança. Os exercícios contaram com simulações de situações como reuniões, audiências, conversas difíceis, entrevistas e exposição diante das câmeras. A iniciativa ocorre em um cenário em que a participação das juízas em espaços de gestão e liderança diminui à medida em que elas avançam na carreira. De acordo com o Justiça em Números 2026, as mulheres representam 41,5% da magistratura de primeiro grau. Entre desembargadoras, o percentual cai para 27,7% e, entre ministras, para 20,7%. Um dos objetivos do programa é reduzir a desigualdade de gênero na magistratura. A escolha da comunicação como tema desta segunda etapa partiu de demandas das próprias participantes. No primeiro módulo, realizado em abril, as magistradas relataram situações em que precisavam se posicionar com mais segurança, sustentar argumentos e ocupar espaços de liderança. “A partir dessa escuta, criamos esta formação em comunicação, para oferecer ferramentas que ajudem essas mulheres a avançar na carreira, dar mais visibilidade aos seus projetos e fortalecer uma rede de magistradas”, explica a juíza auxiliar da Presidência do CNJ, Camila Pullin. Programação No primeiro dia, conduzido pela orientadora em comunicação profissional Cristina Paiva, as participantes trabalharam temas como comunicação estratégica e posicionamento profissional. Liderança, influência, credibilidade, construção de mensagens e técnicas de síntese fizeram parte dos conteúdos, assim como escuta ativa e condução de conversas difíceis. Também foram realizados exercícios de argumentação, negociação e comunicação não verbal, com análise de situações reais e feedback técnico. “Nosso treinamento não é sobre falar bonito, o que nós queremos é conduzir estratégias para atividades de comunicação diárias no cotidiano dessas magistradas”, explica Cristina. Para a juíza do Tribunal Regional do Trabalho da 1a Região (TRT1) Bárbara Ferrito, a formação contribui especialmente para situações em que a comunicação ocorre sob pressão. “Todas nós temos habilidade para nos comunicar de maneira eficiente, pois todas passamos por uma prova oral. O que é preciso é fortalecer é a comunicação em ambientes hostis”, avalia. As juízas citaram, como exemplo, audiências com colegas que por vezes não as respeitam, por serem mulheres, entre outros momentos em que têm de lidar com situações machistas. Já o segundo dia foi dedicado ao treinamento de mídia e contou com a contribuição da jornalista Edilene Lopes. As magistradas participaram de simulações de entrevistas para diferentes tipos de veículos, como TV ou podcast. Em exercícios práticos, elas tiverem de responder a perguntas complexas e delicadas, como costuma acontecer em entrevistas reais, além de estratégias para lidar com situações de pressão. Elas também passaram por treinamentos diante das câmeras, nos quais trabalham clareza, linguagem institucional, credibilidade e presença em vídeo. Este módulo do Women Judge’s Program também inclui devolutivas inpiduais, com avaliações e orientações sobre o desempenho das magistradas em comunicação verbal e posicionamento. Ao trabalhar a comunicação a partir de situações concretas da carreira, o programa busca ampliar o repertório e as ferramentas das magistradas para construir mensagens, sustentar argumentos, conduzir conversas difíceis e se posicionar diante de diferentes públicos. A formação também integra uma proposta mais ampla de fortalecimento da liderança feminina e das redes entre magistradas, estimulando a ocupação de diferentes espaços de atuação e decisão no Judiciário. Acesse as fotos do evento Texto: Lali Mareco Edição: Mariana Barros Agência CNJ de Notícias Número de visualizações: 3
22/09/2026 (00:00)
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